Com a nova dinâmica global de negócios, passar mais de dez anos na mesma empresa não é mais tão vantajoso para os funcionários quanto era antigamente. Comprovando a dificuldade que existe em formar sucessores, é cada vez mais comum ver recém-chegados receberem remuneração superior à de veteranos.
Para ilustrar isso, a Hay Group fez um levantamento em 227 empresas
brasileiras e mostrou que o salário de novos contratados é cerca 13%
superior em relação ao dos com mais de dez anos de casa.
Por causa disso, muitos executivos optam por deixar carreiras estáveis em
busca de novas oportunidades e de novos zeros na conta corrente. E o que é considerada infidelidade executiva, acaba se tornando uma proposta
rentável e vantajosa, já que a mudança de empresa significa em média 30% de aumento, enquanto as promoções internas rendem 20%.
Outro estudo da consultoria Lens & Minarelli feita em parceria com a
Fundação Dom Cabral, mostra que de 500 das maiores empresas do país, apenas 100 desenvolvem programas de sucessão para cargos envolvendo a presidência ou direção da companhia. Em contrapartida, contratar um novo funcionário é 15% mais caro, e isso acaba virando um impasse que as empresas ainda não enxergam como problema.
O ideal seria que a oferta e a demanda se equilibrassem, mas a situação não
é favorável no Brasil. O número de novos negócios e oportunidades que chegam junto com a abertura de capital é muito superior ao de bons profissionais em formação no mercado. Os setores frigoríficos e de construção civil chegam a oferecer remunerações 50% acima da média geral, o que impulsiona a migração em massa de executivos. Até que essa situação se equilibre, grandes empresas vão continuar perdendo fieis funcionários e fazendo contratações que saem muito mais caras para o bolso, numa eterna troca cega de contratações.
Considerando as informações acima, o questionamento a ser feito é: se é mais barato manter um funcionário, capacitá-lo e fidelizá-lo, por que muitas delas ainda preferem procurar capacitação no vizinho? Um bom caso é o de uma empresa nacional de cosméticos, que cresceu 20% em 2008. Por causa do crescimento, promoveu e capacitou muita gente incluindo o atual presidente. Mas, ainda assim a companhia não conseguiu formar mão-de-obra suficiente e precisou recorrer ao mercado para reforçar o time, para isso ofereceu salários 8% maiores.
Do outro lado, um funcionário saiu da Nestlé depois de 13 anos para um salário estimado em 30% a mais, na área de planejamento da Schincariol. Maior reconhecimento? Maior salário? O que atrai o funcionário para uma nova corporação talvez seja a motivação para o novo e um novo desafio. Mas, isso sua própria empresa não poderia ter oferecido?
Aí as perguntas sobre nosso comportamento diante de ofertas começam. É possível ser um funcionário leal? Hoje em dia espera-se que as pessoas tenham no CV muitas mudanças de emprego? E após receber uma oferta muito vantajosa de uma empresa, vale a pena abrir a informação onde se trabalha esperando uma contraproposta?




