Há um livro muito interessante chamado Derrubando Mitos, no qual Phil Rosenzweig, professor do IMD (na Suíca), reflete sobre o poder que uma qualidade, ou defeito, tem de afetar completamente a percepção de entrevistadores, chefes e contratantes em geral sobre a qualificação de uma pessoa.
Segundo o autor, no mundo dos negócios, costumamos associar eficiência, qualidade e compromisso com outras características que não estão necessariamente ligadas diretamente a isso. No livro, Phil reconta o case da “descoberta” do Efeito Aura, que foi percebido pelo psicólogo Edward Thorndike na primeira Guerra Mundial, em uma pesquisa realizada no exército americano, na qual os superiores deveriam atribuir qualidades e defeitos aos subordinados.
O resultado foi a constatação de que os soldados com qualidades eram elogiados de A a Z. Tudo - ou a maioria das coisas que faziam - eram boas. Conclusão: tendemos a generalizar o conceito sobre uma pessoa quando ela tem um qualidade marcante. Se temos uma bela competência em algo, somos elogiados em outras áreas, mesmo que não nos saiamos tão bem nelas. Os soldados bem vistos não eram completos, mas porque fazia bem uma coisa, os superiores concluiam ser improvável que eles não fizessem bem outra.
Eis o efeito aura - essa incapacidade de discernir sobre as habilidades e aptidões de cada um, fazendo com que atributos específicos influenciem a opinião do chefe sobre outras habilidades do funcionário.
Esse mesmo efeito aura pode acontecer com os currículos. Um entrevistador que recebe um currículo cria um pré-conceito a respeito daquele entrevistado baseado unicamente em reputação da escola onde estudou ou das empresas pelas quais passou - sem que haja um filtro verdadeiramente coerente sobre habilidades e capacidade.
Para o desenvolvimento da carreira, portanto, convém ter isso em mente. Não é preciso querer abraçar o mundo, tentando ser um profissional completo, mas um profissional que faça algo muito bem feito e saiba delegar. Na esteira da qualidade entregue, permanece a percepção de que somos profissionais plenos. E também por isso o networking é fundamental. Cada pessoa do seu grupo de conhecidos atribui a você qualidades, que formam o todo. Se relacionar e contar com uma rede ampla ajuda a se auto-conhecer e entender as verdadeiras habilidades que temos porque podemos nos olhar através dos olhos dos nossos conhecidos.
Complicado? Sim. Mas nem de longe um desprazer.




